Uma inglesa à frente de seu tempo, um escocês indomável e um amor capaz de unir duas pessoas tão diferentes.
Desde os dezesseis anos, quando decidiu se tornar assistente de seu pai, um médico renomado na Londres de 1833, Elise Wilkinson sabia o preço de sua escolha. A dedicação à medicina, em um mundo que pouco aceitava mulheres nesse papel, afastaria pretendentes e colocaria em risco o sonho de um dia ter um casamento feliz e uma família.
Anos depois, seu destino cruzou o de Richard Brown, um homem sedutor e boêmio, cuja falência não diminuiu sua ambição. Interessado mais no prestígio do pai de Elise do que nela própria.
Mas é um acontecimento inesperado que muda o rumo de sua vida. Após um atentado contra seu pai em terras escocesas, Elise decide assumir seu lugar e parte para ajudar o filho de um velho amigo da família, um homem confinado a uma cama.
Neil MacKinnon está longe de ser o tipo de cavalheiro que Elise conheceu nos elegantes bailes londrinos. Rude, direto e indomável, ele desafia suas convicções a cada palavra, despertando nela sentimentos tão intensos quanto inquietantes.
Entre o dever e o desejo, Elise e Neil descobrirão que o amor pode florescer nos lugares mais improváveis, mas apenas se tiverem coragem de enfrentar suas diferenças e se render ao que seus corações, teimosamente, insistem em sentir.
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Nº de páginas 520
Dimensões 16 x 23
Categorias:
• Romance Histórico
• Amigos para amantes
• Mistério
• Suspense
• Inglesa e escocês
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CONHEÇA A HISTÓRIA
Assim que o senhor Harell deixou o quarto, um silêncio desconfortável se instalou entre os dois.
Elise se sentiu estranhamente inquieta naquele ambiente fechado. Nunca havia ficado sozinha com um homem. Quando Richard a visitava em Londres, a senhora Rachel ficava sempre por perto. E seu pai não contava. Mas, além do desconforto natural da situação, havia algo pior.
Neil não parava de olhá-la.
O olhar intenso dele parecia acompanhá-la a cada movimento, deixando-a cada vez mais consciente da própria presença dentro daquele quarto.
Ao virar levemente a cabeça para fugir daqueles olhos azuis perturbadores, o grampo que prendia seu chapéu se soltou. Claire o havia prendido às pressas enquanto a carruagem ainda estava em movimento, e certamente não o fixou direito.
Elise segurou rapidamente o chapéu antes que ele caísse no chão.
— Pode tirar o chapéu, senhorita — disse Neil em tom calmo. — Aqui nas Highlands não nos importamos muito com as etiquetas da sociedade londrina.
Elise sabia que o chapéu atrapalharia suas anotações de qualquer maneira.
Tentou retirar cuidadosamente o último grampo sem desfazer o coque. Mas, para seu completo azar, assim que removeu o chapéu, os cabelos se soltaram completamente.
Os longos fios castanhos-acobreados escuros caíram por suas costas como uma cascata ondulada.
— Oh, meu Deus! — exclamou, surpresa, ao deixar o chapéu escapar de suas mãos.
Ela se abaixou rapidamente para pegá-lo. No mesmo instante, os cabelos deslizaram para frente, cobrindo parcialmente seu rosto.
E Neil simplesmente parou de respirar.
Quando os cabelos avermelhados caíram pelas costas dela, captando a luz suave do quarto, ele viu pequenos reflexos dourados brilharem entre os fios. E, quando Elise se abaixou, escondendo o rosto atrás daquela massa sedosa de cabelos, um desejo quase desesperador tomou conta dele.
Quis tocá-los. Tinha certeza de que seriam macios e perfumados.
Por um instante perigoso, imaginou o próprio rosto mergulhado naqueles fios, inalando o perfume delicado de lavanda que parecia envolvê-la por inteiro. Nunca desejou tanto estar perto de uma mulher. Nunca desejou tanto tocar alguém.
Elise Wilkinson o hipnotizava de uma forma que nenhuma outra mulher jamais conseguiu.
Ela era pequena, delicada e graciosa. E justamente por isso parecia desmontar todo o controle que Neil passou anos construindo sobre si mesmo.
Quando Elise voltou a se levantar, segurando o chapéu junto ao corpo, Neil desviou imediatamente o olhar para o outro lado do quarto. Não podia permitir que ela percebesse o quanto o afetava. Perguntou a si mesmo o que estava acontecendo. Como podia desejar uma inglesa?
Uma maldita sassenach.
Nos dois dias seguintes, Neil só conseguiu se arrastar entre os cavaletes, o que o deixava muito frustrado. Cada tentativa parecia exigir dele mais força do que possuía. Muitas vezes apertava os dentes de raiva ao perceber como seu próprio corpo ainda o traía.
Mas Elise sempre encontrava uma forma de animá-lo.
Às vezes com palavras gentis. Às vezes com um sorriso confiante. E, em outras ocasiões, apenas permanecendo ao lado dele em silêncio.
No terceiro dia, porém, algo mudou.
Neil conseguiu dar seu primeiro passo. Foi pequeno e inseguro, mas aconteceu.
Depois veio outro. E mais outro.
Mesmo arrastando um pouco os pés, conseguiu chegar até a outra cadeira sozinho. A surpresa tomou conta de seu rosto.
E a alegria de Elise foi ainda maior.
— O senhor conseguiu!
Ela parecia tão feliz quanto se tivesse sido ela própria quem havia dado os primeiros passos.
Depois disso, Neil começou a dar pequenos passos mantendo o corpo ereto, sem precisar se curvar tanto sobre os cavaletes. Cada novo avanço era motivo de comemoração dentro daquele quarto. Até Eyon e o senhor Harell passaram a sorrir ao vê-lo melhorar.
Depois da forte tempestade que caiu na noite anterior, o amanhecer surgiu com um céu claro, anunciando um lindo dia de outono. Apesar do frio intenso que fazia, não haveria mais chuva naquele dia. As gotas ainda escorriam lentamente pelas folhas das árvores, desprendendo-se uma a uma e perdendo-se na terra já encharcada pela chuva da noite passada. O ar estava úmido e gelado, mas havia uma tranquilidade reconfortante depois do temporal.
Aninhada e protegida nos braços fortes de Neil, Elise abriu os olhos devagar e sentiu a mão dele descansando em sua barriga. Em algum momento durante a noite, ela havia se virado, ficando de costas para ele. Elise sorriu ao sentir a respiração quente de Neil soprando suavemente em sua nuca. Com carinho, acariciou a mão grande e forte, que várias vezes durante a noite deslizou por suas costas, apertando-a junto dele, como se não quisesse soltá-la nem enquanto dormia.
Nunca, em toda a sua vida, imaginou que pudesse se sentir tão feliz como se sentia naquele momento. Havia uma paz naquele despertar que aqueceu seu coração mais do que qualquer cobertor.
Assim que sentiu o toque de Elise em sua mão, Neil despertou de seu sono, mas não abriu os olhos. Queria aproveitar por mais alguns instantes aquele carinho suave que recebia da mulher que tanto o fascinava.
Um sorriso surgiu lentamente em seu rosto.
Antes de dormir, havia dito a si mesmo que, assim que amanhecesse, ela sairia correndo do catre, horrorizada por ter passado a noite ao lado de um homem. Mas, mais uma vez, Elise o surpreendia ao acariciá-lo e permanecer ao seu lado, despertando-o com aquele carinho inesperado. Ficou casado com Sloane por um ano inteiro e nunca teve um momento tão especial como aquele que estava vivendo com Elise.
Apenas o fato de dormir ao lado dela já lhe proporcionava um prazer imenso e desconhecido.
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